Cooperado transforma criação de búfalos em sua principal atividade

A criação de búfalos vem ganhando expressão econômica entre os produtores rurais brasileiros. Para isso concorrem vários fatores: os búfalos são fortes, rústicos e dóceis, apesar da sua aparência selvagem, o que os habilita como animais de tração; apresentam alta produção de leite, muito rico em proteínas; e sua carne tem excelente aparência e alta qualidade nutritiva, com 55% menos calorias, 40% menos colesterol, menos de 10% de gordura e, em contrapartida, dez vezes mais minerais e onze vezes mais proteínas.

Todas essas razoes levaram o cooperado José Augusto P. da Costa, proprietário da fazenda Campo Belo, em Ibitinga, SP, a optar pela bubalinocultura e, em especial nos últimos dois anos, a investir pesadamente na atividade, hoje a principal em sua propriedade, que conta com aproximadamente mil cabeças, ocupando 500 hectares. Além disso, mantém um programa de melhoramento genético. Para isso, vacas e touros passam por constantes avaliações e há um rigoroso controle de quantidade e da qualidade do leite produzido na fazenda, de acordo com as normas da Associação Brasileira dos Criadores. Da mesma forma, há um controle sistemático de todos os aspectos sanitários relevantes. O cooperado conta que começou na atividade fazendo alguns testes de viabilidade técnica e econômica. Como possuía grandes áreas de várzea na propriedade, adquiriu inicialmente um pequeno lote de fêmeas, para avaliar seu desempenho. Os resultados foram considerados muito bons. Então, o cooperado decidiu investir no negócio formando um plantel maior, visando a produzir animais para terminação em confinamento, aproveitando-se para isso de sua experiência anterior confinado gado bovino. Contribuiu decisivamente para sua opção pelos búfalos a existência de um grande mercado consumidor a ser explorado, relevando boas oportunidades para a comercialização de leite e carne a preços mais vantajosos dos que conseguimos com bovinos. Além disso, poderia produzir leite e obter suas crias para a engorda sem a necessidade de grandes mudanças na infra-estrutura nem no manejo sanitário, reprodutivo e nutricional. Tudo isso somando estimulou José Augusto a dedicar-se predominantemente a essa nova atividade. O cooperado cria três raças: Murrah, Jafarabadi e Mediterrâneo. A primeira é de menor porte, mas precoce, sendo a mais produtiva. Da segunda que é a maior delas, o cooperado crias duas espécies, Gir e Palitana, sendo que esta ultima produz fêmeas com até mil kg. Além dessas raças, ainda existe no Brasil a Carabao, hoje praticamente confinada à Ilha de Marajó, sendo considerada uma espécie quase em extinção. Hoje, a produção de leite de búfala na Fazenda Campo Belo chega a 850 litros diários no pico da safra, caindo para 550 litros diários na entressafra, explica o cooperado: “Em nosso plantel, com animais criados a pasto e uma ordenha diária, há vacas que produzem 2 litros por dia, enquanto outras chegam a 12 litros. Se os animais forem submetidos a um regime de duas ordenhas, em sistema de confinamento, ou seja com uma suplementação alimentar no cocho, essa produção pode aumentar ate 80%. Uma vaca que dá 12 litros poderá dar 22”.