Leite de Búfala: Um ótimo negócio!

Em São Carlos, região centro-leste do estado de São Paulo, está localizada a Fazenda Betel, sob responsabilidade de Fábio Pinto da Costa, 37 anos, engenheiro agrônomo.

Jovem e muito entusiasmado com os resultados obtidos com os bubalinos da raça Murrah, o pecuarista que tem sua origem familiar na pecuária de corte (bovinos), hoje já é um exemplo de como a atividade leiteira, com búfalos Murrah, pode ser altamente produtiva, e principalmente lucrativa. Fábio também cria cavalos da raça Quarto de Milha, para provas de Apartação e Team Pening e cães da raça Australian Cattle Dog (Blue Heeler).

A Fazenda Betel, há três anos na raça, está com um plantel formado por 150 matrizes, com animais de origem diversificada, com base nos melhores criatórios do país, como o de Wanderley Bernardes (in memorian), reconhecidamente um dos maiores nomes da criação de bubalinos do Brasil e outros plantéis que ajudaram a dar toda genética e qualidade à criação da Fazenda Betel são o dr. Paulo Joaquim Monteiro da Silva, dr. Francisco Sílvio Malzoni (in memorian), Wagner Marquesi (Juçara/GO) e Luiz Cláudio Guimarães (Paraná), além de alguns animais do plantel de dona Lígia Calé (Bodoquena, MS).

Estas diversificações de sangue, originário da cabeceira de grandes plantéis brasileiros, permitiram à Fazenda Betel constituir um dos melhores plantéis do país.

Além da Fazenda Betel, Fábio da Costa é responsável técnico da Fazenda Campo Belo, em Ibitinga, São Paulo, de propriedade de seu pai, que também trabalha com búfalos da raça Murrah, na extração leiteira.

A perspectiva de Fábio é entrar em 2001 com 200 matrizes, para manter constantemente 150 fêmeas em lactação. Hoje, a fazenda tem 130 matrizes de duas ordenhas diárias e divididas em 2 lotes. A média diária a pasto na Fazenda Betel é de 800 litros de leite/dia, na entre safra, e na época da safra a expectativa é para até 1.400 litros/dia.

A estrutura da Betel é bem simples e o leite é retirado manualmente. A fazenda tem uma sala de leite onde fica um tanque de expansão para resfriamento. Na época da safra, o leite segue para os laticínios diariamente.

O pasto é formado por braquiária e em sistema rotacionado simples, sem adubação.
A Fazenda Betel também explora a comercialização de reprodutores, filhos de vacas de alta produção, além de comercializar ainda, touros melhoradores.

Rentabilidade.
A fazenda Betel trocou a atividade de corte, recria e engorda com bovinos, pela atividade leiteira com bubalinos.
“Começamos com o búfalo aos poucos, como experiência, mas rapidamente pudemos notar o resultado e o retorno que ele dá… Então, abandonamos a pecuária de corte e iniciei a pecuária leiteira com os bubalinos”, conta Fábio da Costa.
Com a Fazenda localizada num raio de 80 km de alguns laticínios que compram toda a produção, Fábio conta que tem sido constantemente procurado por outros laticínios mais distantes para aquisição do seu leite, o que prova grande demanda do Mercado pelo produto. “Eu acredito que hoje, o setor da pecuária que dá maior lucratividade é a bubalinocultura de leite… o Mercado está muito mais comprador do que vendedor… a procura pelo leite é muito grande”, garante Fábio.

Fábio Pinto da Costa manda um recado àqueles interessados em iniciar sua atividade em pecuária leiteira com búfalos. Ele diz que dois fatores são os principais para o sucesso da criação em atividade leiteira. O primeiro deles é a localização estratégica da propriedade, pela distância dos laticínios e centros consumidores e outro, a produtividade dos animais do rebanho.
Dentre as raças bubalinas, a escolhida por Fábio foi o Murrah. Esta raça, ao lado da Mediterrâneo, são as escolhidas pela grande maioria daqueles que obtém bons resultados na atividade leiteira. A proporção para uma boa criação é a de 2,5 cabeças por alqueire, porém, essa proporção depende do manejo dotado.

“Na minha opinião, o Murrah é a raça mais rentável para quem vai tirar leite… No cálculo comparativo de quilos de leite produzido por quilo de peso vivo do animal o Murrah é imbatível…”, afirma. Ele explica que o animal come em função do peso vivo dele. Uma vaca de 1.000 kg come por duas de 500 kg. “Se uma vaca de 900 ou 1.000 kg dá 10 kg de leite, Mediterrâneo ou Jafarabadi… Enquanto isso, uma vaca Murrah de 500 kg te dá os mesmo 10 kg de leite, assim, aonde você tem uma vaca de 1.000 kg, pode-se criar 2 de 500 kg. Isso te dá o dobro de leite e o dobro de bezerros na mesma área e com a mesma alimentação”, completa.

A Itália é hoje, depois da Índia, o maior produtor de leite de búfala do mundo. Naquele país, as vacas chegam a produzir em media, 10 litros de leite/dia, em regime de confinamento. Fábio acredita que pelo crescimento apresentado no país, em breve o Brasil estará ultrapassando a Itália neste setor.
“Apesar de criarmos a pasto, temos casos de vacas aqui da fazenda, que no pico do período da lactação, chegaram a bater a media de 15 litros/dia”, afirma Fábio.

O número de laticínios para fabricação de “Mozzarella de Búfala” no Brasil deve crescer muito nos próximos anos, pela crescente procura pelo produto nos grandes centros, o que faz com que a produção de leite de búfala torne-se cada vez mais um excelente negócio para os pequenos e médios produtores.
O cálculo é simples. Uma búfala media chega a produzir cerca de 5 litros de leite/dia, o que num período de lactação (305 dias – padrão internacional) dá aproximadamente 1.525 litros. Isto multiplicado por um preço médio de R$ 0,70 o litro, cada vaca chega a dar R$ 1,067,50 pelo período de lactação. Somamos à sua produção, o seu bezerro, que vale em media R$ 250,00 (animal comum), isso faz com que cada fêmea gere em media, mais de R$ 1.300,00/ano.

A relação custo X benefício dos bubalinos se torna ainda mais interessante, quando vemos matrizes sendo vendidas de R$ 1.000 a R$ 3.000,00, dependendo da sua origem e produtividade leiteira.